O cuidar em saúde pode ser desafiador. São personagens diferentes que se encontram, se conectam e, inevitavelmente, transformam uns aos outros. A cena do cuidado é, e sempre será, inter-relacional e, com ela, surgem também os desafios que lhe são inerentes.
Para pensar sobre isso, gosto de recorrer à tão conhecida Fita de Möbius. Ela é uma curiosidade matemática na qual a geometria demonstra seu esplendor e até um certo tipo de mágica.
Ainda que a figura pareça apresentar dimensões diferentes, ela é, na realidade, composta por uma única face delimitada por uma única borda. Sua aparência retorcida, porém, nos dá a impressão de que existem lados opostos.
Em uma extrapolação tão curiosa quanto potente, é possível estabelecer um paralelo entre a Fita de Möbius e as relações de cuidado, refletindo sobre como o cuidado é produzido, ofertado e vivido por profissionais e cuidadores no contexto dos Cuidados Paliativos.
Valendo-nos dessa capacidade ilusória da Fita de Möbius, em muitos cenários a oferta de cuidado entre profissionais e cuidadores parece seguir direções completamente opostas. Cada um sustenta seu ponto de vista sobre o quanto conhece aquela pessoa que agora se encontra diante de um diagnóstico pouco favorável.
Na realidade, porém, ambos percorrem uma mesma direção: o bem-estar do paciente ou do ente querido. São trajetórias delimitadas por um único propósito, o cuidado.
Talvez seja justamente aí que resida a beleza do bem cuidar, permanecer aberto ao encontro, ao imprevisto e ao ineditismo biográfico de cada existência. Nesse sentido, poucas coisas são tão belas, não é mesmo?
